SINPROFE notifica Prefeitura sobre deliberações da Assembleia e aguarda resposta sobre audiência até o dia 20

Protocolo entregue nesta sexta-feira (06) estabelece prazo para resposta do Executivo após meses de silêncio; documento se apoia em diagnóstico que aponta assédio e evasão

DA REDAÇÃO (SINPROFE) O Sindicato dos Professores, Professoras e Especialistas em Educação do Município de Barreiras (SINPROFE) protocolou, nesta sexta-feira (06 de fevereiro), o Ofício nº 04/2026 (Processo nº 1772/2026) junto à Chefia de Gabinete da Prefeitura. O documento comunica formalmente ao Executivo municipal as decisões tomadas pela categoria durante Assembleia Geral Extraordinária realizada na última quinta-feira (05), na sede da entidade.

O ofício fixa o dia 20 de fevereiro como prazo final para que a gestão municipal apresente uma devolutiva ao pedido de audiência feito pelo sindicato. A data marca o limite estabelecido pela categoria para o encerramento do silêncio mantido pelo Executivo desde o início do ano.

O novo protocolo reforça tentativas de diálogo iniciadas ainda em 7 de janeiro, por meio do Ofício nº 02/2026, que tratava de pendências de demandas urgentes. Diante da ausência de resposta, os profissionais da educação, reunidos em Assembleia Geral Extraordinária, consolidaram um diagnóstico detalhado da situação da rede municipal.

Diagnóstico da crise: evasão e desvalorização

Durante a assembleia que fundamentou a notificação, os professores relataram um cenário de desvalorização profissional, com impacto direto sobre os novos servidores. Levantamento apresentado pelo sindicato aponta que aproximadamente 70% dos aprovados no concurso público de 2023 já deixaram os cargos.

Entre os fatores apontados, o principal é o achatamento salarial. Mesmo com especialização, mestrado ou doutorado, os docentes recebem apenas o piso da categoria, sem a incorporação das vantagens por titulação e das progressões previstas na Lei nº 768/2007. O resultado é um ambiente de desestímulo, no qual profissionais afirmam que, na prática, estão “pagando para trabalhar”.

Assédio moral

Embora o ofício trate formalmente dos encaminhamentos da mobilização, ele se apoia em relatos considerados graves, debatidos ao longo da Assembleia. Entre eles estão denúncias de assédio moral sistemático, vigilância constante nas unidades escolares e restrições à liberdade de manifestação dos educadores.

Estrutura precária e problemas tecnológicos

O diagnóstico registrado pelo SINPROFE inclui ainda problemas estruturais nas escolas da rede municipal de ensino de Barreiras. Há relatos de infiltrações em unidades recém-inauguradas, com impacto sobre a rede elétrica, além de casos recorrentes de alagamento, entre outros diversos problemas.

Na área tecnológica, o sindicato aponta falhas constantes no software EducaNet, utilizado para registros pedagógicos e administrativos. Segundo os profissionais relataram, o sistema tem gerado sobrecarga burocrática e contribuído para casos de adoecimento físico, como LER/DORT.

Ana Maria Vieira, tesoureira do SINPROFE, alerta para a precarização e dificuldades tecnológicas que comprometem o ensino público em Barreiras

A tesoureira do sindicato, professora Ana Maria Vieira, afirma que as condições de trabalho atingiram um ponto crítico:

“O que estamos vivenciando hoje em Barreiras não é apenas um problema financeiro, mas a precarização do ambiente de trabalho e da própria educação. É impossível oferecer um ensino de qualidade quando o professor é submetido a um software que adoece e as escolas que, – embora muitas delas apresentadas como novas e reformadas -, já possuem infiltrações graves e riscos na rede elétrica, móveis deteriorados e paredes em más condições. A prefeitura não oferece os equipamentos necessários, forçando que os trabalhadores usem muitas vezes, aparelhos de uso pessoal.”

Pauta que ultrapassa a questão salarial

Maria Aparecida Pessoa, presidenta do SINPROFE, reforça que a mobilização da categoria defende salário, direitos e o futuro da educação pública em Barreiras

Para a presidenta do SINPROFE, professora Maria Aparecida Pessoa, o movimento da categoria vai além de reivindicações econômicas e envolve a defesa da própria estrutura da educação pública no município:

“Nosso objetivo com a solicitação de reunião, não é para tratar apenas de salário. Estamos falando de questões econômicas, políticas e sociais. Quando denunciamos a evasão de 70% dos novos concursados, por exemplo; estamos falando do futuro de Barreiras. São decisões políticas que afetam a dignidade do trabalhador e a qualidade do serviço prestado à população. Essas pautas são inadiáveis.”

Encaminhamentos definidos em Assembleia

O protocolo junto à Prefeitura cumpre o papel de formalizar e dar publicidade às deliberações aprovadas na Assembleia Geral Extraordinária do dia 05 de fevereiro. A categoria aguarda agora o posicionamento do Executivo municipal:

  • Até 20/02: prazo para manifestação da prefeitura sobre o agendamento da audiência solicitada pelo SINPROFE.
  • A partir de 23/02: caso o silêncio persista, terá início um processo de mobilização direta junto à comunidade escolar, envolvendo pais, alunos e profissionais da Educação.
  • Paralisação: o documento deixa explícito que, se não houver resposta até o dia 20, a categoria deliberou por paralisar as atividades a partir de 25 de fevereiro, conforme decisão soberana da Assembleia.

A direção do SINPROFE reforça que o diálogo segue como prioridade, mas destaca que as decisões coletivas da categoria serão respeitadas como forma de garantir os direitos e a dignidade de todos os profissionais da educação de Barreiras.


Descubra mais sobre Sinprofe

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.