Prefeitura agenda reunião com SINPROFE e categoria suspende paralisação na educação de Barreiras

Sindicato reconhece cumprimento de prazo, mas contesta versão oficial de que pendências foram zeradas; professores/as passaram dois meses sem retorno da administração; assembleia no dia 5 de março vai definir os próximos passos

SINPROFE – A diretoria do Sindicato dos Professores, Professoras e Especialistas em Educação do Município de Barreiras (SINPROFE) decidiu, na noite desta quinta-feira (19), suspender temporariamente a paralisação que estava marcada para 25 de fevereiro. O motivo foi a resposta da Prefeitura de Barreiras ao pedido de audiência encaminhado no Ofício nº 04/2026, dentro do prazo estipulado pela categoria.

A manifestação da gestão municipal chegou ao sindicato no fim da tarde de ontem, por meio do Ofício nº 023/2026, assinado pelo chefe de Gabinete, Álvaro Sampaio Júnior. O documento agenda uma reunião com o prefeito Otoniel Teixeira para o dia 4 de março, às 9h30, na sede da Prefeitura.

O ofício atende à notificação protocolada pelo sindicato no dia 7 de janeiro, que estabelecia o dia 20 de fevereiro como prazo final para a administração se manifestar sobre as pautas da categoria. Até então, a Prefeitura mantinha silêncio desde 7 de janeiro, quando o SINPROFE entregou o primeiro ofício do ano com demandas urgentes.

Durante a reunião da diretoria, os professores avaliaram que a resposta – ainda que tenha chegado no limite do prazo e depois de dois meses de espera – não poderia ser ignorada. O sindicato sempre defendeu o diálogo, mas nunca abriu mão da pressão como ferramenta legítima. A suspensão da paralisação é uma decisão tática, não um sinal de alívio ou conformismo.

Agora, a categoria aguarda os encaminhamentos da reunião do dia 4 de março. No dia seguinte, 5 de março, às 16h, o SINPROFE convoca Assembleia Geral Extraordinária, em sua sede, para apresentar os resultados da conversa com o prefeito e deliberar sobre os rumos do movimento. Se as expectativas não forem atendidas, a paralisação pode ser retomada imediatamente.

Sindicato rejeita versão da Prefeitura sobre suposto fim das pendências

O SINPROFE repudia de forma categórica a narrativa divulgada pela Prefeitura no último dia 12 de fevereiro, por meio do Decreto nº 18/2026. Na ocasião, a administração afirmou ter “zerado as pendências dos direitos reivindicados pelos servidores do magistério”, após conceder progressões e gratificações para 61 professores/as.

Para o sindicato, a versão oficial é uma tentativa de maquiar a realidade. Os 61 contemplados representam apenas uma ínfima fração dos profissionais que aguardam o cumprimento da Lei nº 768/2007, que assegura progressões e gratificações por titulação. Enquanto isso, cerca de 70% dos aprovados no concurso público de 2023 já pediram exoneração – um dado que expõe a gravidade da crise e desmente qualquer discurso de que os problemas foram resolvidos.

“A Prefeitura quer vender a ideia de que tá tudo certo, mas a realidade é outra. A carreira do magistério continua defasada e desrespeitada, a estrutura continua precária e o assédio moral segue como prática. Conceder o que já era direito de 61 colegas não resolve o problema da categoria inteira. Não adianta mudar de nível – seja para pós-graduado, mestrado ou doutorado – se a mudança não vem acompanhada da pecúnia correspondente. A gente vê professor que mudou de nível e, ao invés de receber os 20% da pós, recebeu apenas 10%. Outros não receberam nada. Só mudou no papel, mas no bolso, nada. Isso não é valorização. Valorização também perpassa pela questão financeira. E é sobre isso que a categoria vem reclamando: não adianta o título se o salário não acompanha”, afirmou a presidenta do SINPROFE, professora Maria Aparecida Pessoa.

A tesoureira, professora Ana Maria Vieira, endossou: “É uma cortina de fumaça. As escolas seguem com infiltração, fiação exposta, paredes deterioradas, mobiliário quebrado, insuficiência de material pedagógico e professores/as usando o próprio celular e notebook para trabalharem. Isso não é valorização, é descaso, é precarização do trabalho.”

A pauta entregue à Prefeitura

  • Cumprimento integral da Lei nº 768/2007, com incorporação de progressões e titulações;
  • Fim do assédio moral e da vigilância sistemática nas escolas;
  • Melhoria da infraestrutura das unidades de ensino;
  • Condições tecnológicas adequadas com o fornecimento de equipamentos;
  • Abertura de diálogo efetivo e contínuo com a categoria;
  • Convocação de aproximadamente 100 professoras para creches a fim de assegurar o 1/3 de hora-atividade (AC);
  • Reformulação do PCCS: Criação de comissão para revisão do Plano de Carreira, Cargos e Salários; e
  • Outros assuntos.

Sobre esse último ponto, o SINPROFE considera insuficiente uma reunião por ano para tratar de questões que se arrastam há anos. A proposta é a criação de uma mesa permanente de negociação, com encontros periódicos. O objetivo é garantir o acompanhamento sistemático das demandas e impedir que os problemas se acumulem até virarem um caos.

Crise estrutural vai além do salário

A decisão da diretoria ocorre em meio a um cenário que o sindicato classifica como de crise estrutural na educação municipal. Levantamento da entidade mostra que cerca de 70% dos aprovados no concurso de 2023 já pediram exoneração – um indicador que revela prejuízos em múltiplas dimensões: perda de quadros qualificados, descontinuidade pedagógica, sobrecarga para os/as professores/as que permanecem e impacto direto na qualidade do ensino oferecido à população.

Entre os motivos apontados para a debandada estão o achatamento salarial – com professores/as pós-graduados recebendo apenas o piso – e a falta de progressão na carreira, mesmo com previsão legal. O resultado é um sistema que forma profissionais para vê-los deixar a rede assim que conseguem outra oportunidade.

O sindicato também acumula denúncias de assédio moral, vigilância constante nas escolas e problemas graves de infraestrutura. Unidades recém-inauguradas já apresentam infiltrações, fiação exposta e mobiliário deteriorado. No campo tecnológico, o sistema EducaNet tem sido apontado como fonte de sobrecarga burocrática e adoecimento profissional, com professores/as usando equipamentos pessoais para suprir a falta de estrutura que deveria ser garantida pela gestão municipal.

O SINPROFE acredita que o diálogo é necessário, mas não abre mão da mobilização. Se as demandas não forem atendidas na reunião do dia 4 de março, novas paralisações poderão ser retomadas, a depender da deliberação da assembleia do dia seguinte. A orientação da diretoria é clara: não há recuo sem avanço concreto e soluções imediatas.


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